.
Decidi-me a colocar aqui o apelo da Filomena e dar a cara por isto porque a conheci ontem. Não se colocará aqui a hipótese de publicidade negativa; de qualquer modo o mail circula por aí, publicamente, em espaços com mais visibilidade que este modesto blog. Se me decidi a enviar o mail aos meus amigos e conhecidos reais e virtuais, foi porque tomei contacto directo com a situação ao querer assegurar-me da veracidade dos factos. Liguei à Filomena, trocámos telefones e ontem combinámos uma visita e lá fui eu à Amadora, sem saber o que ia encontrar, mas com vontade de ajudar a dar visibilidade a este caso, se me certificasse da veracidade da história. Uma espécie de blind date.
Foi estranho. A situação não é usual para mim e o mundo com que me vi confrontada é um mundo que me é alheio. Alheio no sentido de nunca ter tido contacto tão directo com as privações por que aquela família passa. Ao mesmo tempo sente-se uma dignidade e um quase pudor no sofrimento. E o recurso aos mails e à comunicação social foi o último dos últimos recursos da Filomena de cabelos loiros compridos e olhos verdes. Que seria muito bonita se a vida a tivesse tratado melhor.
Enontrei-a serena. Acamada, ao redor dela no quarto estavam dispostos o telefone, a televisão, o computador. Tudo ali à mão. Aquele quarto é o mundo dela. A solidão dela. Um cenário quase à Almodôvar, com imagens de santos, bibelots e velas nas paredes amarelas e na cómoda atulhada.
Li os documentos comprovativos dos créditos concedidos e as cartas dos advogados exigindo o pagamento imediato sob pena de execução imediata da dívida. Como o único bem próprio é a casa, imagine-se o desespero, sobretudo se tivermos em conta que as cartas a ameaçar com um processo judicial são de Junho e desde então aquela família vive no pânico de um telefonema que lhe tirará a esperança. Se a esperança ainda resiste isso deve-se a um telefonema de há 3 dias do jornal "24 horas", para marcar uma ida a casa da Filomena. A concretizar-se a entrevista, será excepcional a visibilidade.
Deixo-vos o mail e o apelo.
-------------------------------------------------------------------------------------
Quero pedir-vos por favor que leiam esta minha mensagem até ao fim, independentemente de tudo.
Chamo-me Filomena Moreira, tenho 33 anos, dois filhos lindos com 14 e 8 anos, o João Carlos e o Ruben Filipe e um marido maravilhoso a quem devo tudo.
Infelizmente estou acamada ha mais de 2 anos devido a uma doença rara e incuravel que me apareceu á cerca de 7 anos.
Os "médicos" depois de estudarem tudo o que queriam, mandaram-me para casa com umas doses de morfina e nda mais...nunca mais quiseram saber de mim...não me conformei que nada mais havia a fazer e iniciei uma dura e longa luta pela vida, mas não foi fácil, muito menos por conta própria...
Hà cerca de 2 anos e pouco o meu estado era mesmo muito grave e pensei que de facto o meu momento final estava para muito breve...
Mesmo assim não quis entregar-me tão facilmente e como tinha conhecimento que nos estados unidos esta doença estava a ser estudada ha muitos anos, pensei em fazer uma pesquisa e entrar em contacto com alguém de lá. Como não tinha hipoteses de comprar um computador apronto, o meu marido comprou-me este a prestações. Fiz pesquisas ate não poder mais e quando parecia que ja nada era possivel e eu ja não tinha forças para mais...surgiu uma luz ao fundo do túnel...surgiu um novo e experimental tratamento...mas era demasiado caro para as nossas possibilidades e o nosso bom governo nem quis saber...
Perante o desespero de me verem quase a morrer, a minha mãe pensou em pedir uns emprestimos, pois o meu marido e eu não tinhamos rendimentos suficientes para isso, ela tb é reformada do Estado, mas tem a casa que é comprada, a minha mãe foi funcionaria do Instituto Geográfico e Cadastral mais de 20 anos e o meu querido falecido Pai foi 30 e tal anos funcionario do Ministerio da Justiça, na Direcção-Geral dos Serviços Prisionais.
A minha mãe ficou sozinha ha 4 anos e meio e como eu fui piorando e as despesas eram muitas, tivemos que vir viver com a minha mãe.
Depois de alguma espera la conseguiu os emprestimos e eu consegui fazer o tratamento. As melhoras foram muito poucas, mas pelo menos tentei...hoje
ja estou arrependida, pois por causa de mim estamos numa situação desesperante...
Pensei em ir á tv pedir a ajuda dos portugueses, mas como era para pagar os emprestimos e nao para o tratamento, nao me ajudaram...so que os emprestimos foram para pagar o tratamento...fiquei desolada...
O meu marido na altura ainda tinha 2 empregos, um na whirlpool, na profissao dele, Electromecanico de Electrodomésticos e outro no Clube de Tiro de MOnsanto, noite sim noite não...ia dia sim dia não trabalhar sm sequer ter dormido...
So que ate nisso tivemos azar, pois o meu marido tb é deficiente de uma perna, tem a bacia fixa e uma diferença de 12 cm de uma perna para a outra, o que lhe traz imensos problemas e dôres, foi uma tuberculose óssea em criança...mas é um Grande Homem na mesma!
Ele deu uma grande queda e desde aí foi proibido pelo medico de exercer a profissão dele...hoje esta a tentar a reforma e continua no Clube, mas ganha pouco mais que 60 contos e eu tenho uma reforma de 30 contos que é para a farmacia...mas isso nós ja estamos habituados a viver com dificuldades...o pior foi que deixamos de conseguir pagar os cerca de 100 contos das prestações dos emprestimos, pois a minha mãe pediu, mas nós é que pagávamos, e ela agora não pode tb pagar por nós, pois ja tem que nos ajudar em tudo o resto.
Com tudo isto neste momento ja temos cerca de 1000 contos em atraso dos 3000 contos que pedimos e agora estamos a um passo de perder esta casa que é o unico bem que a minh mãe tem.
Isto é horrivel...para onde vou eu assim doente??? e os meus filhos?????
Por favor...ajudem-me...
Se todos contribuirem com pouquinho que seja, talvez consigamos pagar esta
divida e assim podermos dormir descansados...
Eu so quero poder partir em paz...saber que os meus meninos não ficam na rua...nada mais...o meu filho mais novo ja esta a ter problemas por causa disto...ate ja tem uma consulta para peudopsiquiatria, pois este ano que passou nem á escola foi...entrava em pânico, com medo de chegar aqui e ja não termos casa...foi um grande problema...
Ajudem-me...com alguma contribuição, com mais endereços ou mesmo passarem tb esta mensagem, pois acredito que tenham bastantes conhecimentos, e ate se algum de vós tiver conhecimentos de advogacia, para nos eclarecerem se ha algo que possamos fazer para não perdermos a casa, nós nao podemos pagar a um advogado.
Ajudem-me...
Nós ate ja sugerimos as financiadoras irmos pagando um pouquinho todos os meses, mas eles não aceitam...
Estou desesperada...pioro a cada dia que passa...não sei se aguentarei muito
mais....o Fernando tem tentado dar-me muita força e diz para eu nunca perder a Fé, que algo acontecerá...mas não é nada facil meus amigos...não desejo isto a ninguém...
Foi criada uma conta na Caixa Geral de Depositos apenas para este fim, com o NIB 003503960018333360070 o numero da conta é 0396 183333600 em nome de Carlos Jorge Aurélio Sarmento, todo o dinheiro que la entrar sera exclusivamente para pagar esta divida.
Ajudem-me por amor de Deus...
O meu contacto é o 214962160 ou 914524082, moro na rua correia teles nº20-8º-A, na reboleira. Eu posso provar em como isto é verdade e podem sempre comunicar com o Fernando Girão, que agora é meu amigo tambem e é uma pessoa maravilhosa e de Bem.
Ate podem ca vir, a minha porta esta aberta.
Se ao menos me deixasssem dar a cara, para pedir a ajuda dos portugueses que são sempre tao solidarios...
Jà nao sei o que fazer...
Ajudem os meus filhos...se são Pais devem de calcular a dôr que é ver os nossos filhos a sofrerem desta maneira...ajudem-me...pode ser com pouquinho...
Penso que nao me esqueci de nada...estou tao n
-------------------------------------------------------------------------------------