Púrpura secreta

Terça-feira, Agosto 31, 2004

novo sistema de comentários

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Devido aos sucessivos boicotes ocorridos nos comentários decidi mudar o respectivo sistema, passando a vigorar o anterior e original sistema do blogger o qual vai forçar simpaticamente o registo aos comentadores.

Os comentários inseridos nos posts imediatamente anteriores a este, e usando o sistema do haloscan, serão colocados como comentário a este post.

rectificação

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E quando a fome aperta, é preciso primeiro dar um peixe. Mais tarde ensinam-se as artes da pesca...
O nib correcto é este.

Foi criada uma conta na Caixa Geral de Depositos apenas para este fim, com o NIB 003503960018333360070 o numero da conta é 0396 183333600 em nome de Carlos Jorge Aurélio Sarmento, todo o dinheiro que la entrar sera exclusivamente para pagar esta divida.
Ajudem-me por amor de Deus...
O meu contacto é o 214962160 ou 914524082, moro na rua correia teles nº20-8º-A, na reboleira. Eu posso provar em como isto é verdade.
Ate podem ca vir, a minha porta esta aberta.
Se ao menos me deixasssem dar a cara

Segunda-feira, Agosto 30, 2004

e mais links amigos

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Xicuembo e Novos voos solidarizaram-se também com a esperança da Filomena, que se expõe com coragem, a coragem do desespero, do sossegado desespero. Pela possível perda da casa, pela saúde que se deteriora, pelas dores que a morfina acalma às vezes, pela falta de tratamentos, por ver os filhos com o olhar triste de quem está a ser obrigado a confrontar-se com a rudeza da vida.
Este blog anda um bocado melancólico, é verdade, mas não me saem da cabeça os olhares dos miúdos, aqueles olhares de sobressalto e timidez, de nada pedir e tudo esperar...

meu caro 'médico explica'...

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Caro 'médico explica',

Eu estive em casa da Filomena e isso dá-me alguma autoridade para emitir opinião sobre o que vi, que de medicina perceberá quem de direito. O caro dr. não esteve lá, não falou com ela, não a analisou. Ela não foi bem tratada pelos hospitais onde esteve. Mas ela contar-lhe-à as sitauções pelas quais passou se quiser ter a bondade de se inteirar. Acho que não tem o direito de pôr em causa, liminarmente, toda a situação que presenciei. A doença de Crohn foi diagnosticada numa fase avançada. A Filomena está acamada. Não se trata de um caso de sobreendividamento 'tout court'. Trata-se de um conjunto de situações sociais alarmantes. Sabe o que disseram os seus colegas? Sabe como a trataram? Em todas as profissões há bons, maus e assim assim médicos e nós não podemos assumir uma atitude corporativista; na minha profissão não defendo todo e qualquer colega embora a tendência seja para a solidariedade profissional, é natural.

A internet tem bons e maus usos, sem dúvida, caro médico. E quem lhe disse que este é um mau uso? As verdades custam? Mas quem afere das verdades?


Se quiser ir à casa da Filomena, venha, convido-o a vir comigo para ver com os seus olhos e analisar com a sua perícia técnica toda a parte médica ou pelo menos a indicar-me médicos especialistas. De preferência pagos pela segurança Social...

Desculpe ter apagados os comentários de alguém que assinou como 'médico explica', mas não os relacionei consigo dada a forma a meu ver emocional como a questão foi encarada. Foi por achar que era alguém a fazer-se passar por si que apaguei as mensagens e não por discordar da sua opinião.
Afinal estava enganada. Era mesma a sua opinião. Está linkada no título deste post.

Como não posso comentar no seu blog devido à ausência de caixa de comentários, respondo-lhe por aqui.

E creia-me uma leitora atenta, embora nem sempre concordante.
:)

a DECO

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Sugeriram-me, por mail, contactar com a DECO, que tem um gabinete especifico para tratar os casos de sobreendividamento e renegociar com as entidades credoras planos de pagamento.

Este é um caso que eu penso não ser "típico", dado que o empréstimo de 3000 cts contraído junto de várias empresas (Cetelem, Cofidis, etc) o foi numa altura em que o marido da Filomena trabalhava e teve o objectivo de pagar um tratamento dispendioso que afinal não teve os resultados desejados. De qualquer forma foi um tratamento experimental a que a Filomena se submeteu, tendo sido ela a 'cobaia' - teve de pagar o tratamento mas não a deslocação dos médicos dos Estados Unidos a Portugal (o interesse era de ambas as partes).

Este tipo de processos de renegociação da dívida é tratado com carácter de urgência por parte da DECO, segundo julgo saber, principalmente se for premente e 'para ontem', como este. É que hoje ligaram mais uma vez da Cetelem dando um prazo até amanhã para pagar a dívida. Vamos ver o que a Deco pode fazer. Interessa ganhar tempo até se descortinar uma solução...

mais links amigos

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Respirar o mesmo ar e Nós e os Outros juntam-se à rede de apoio à Filomena. Obrigada :)

links amigos

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Agradeço à Gotinha, ao SolidariedadeBlog, à Um pouco mais de azul, ao Ma-shamba, à Pandora's box, os links que estão a fazer ao caso da Filomena.
É de um valor incalculável a difusão pela blogosfera deste caso. Obrigada.

descredibilizar este caso porquê?

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Claro que, mais uma vez, as pessoas com falta de imaginação e do que fazer se divertiram a fazer-se passar por mim, escrevendo esta madrugada comentários que induzem em erro quanto à sua autoria.

É óbvio que não fui eu. Lamento que isto possa desviar as atenções do que realmente importa aqui, que é o caso da Filomena, e possa descredibilizar tudo o que se pretende, que é AJUDAR a família em ausa, sem quaisquer laivos de caridadezinha humilhante.

Peço que respeitem isso.

E peço também, a quem me souber ajudar, com os seus conhecimentos informáticos, a ajudar a ultrapassar esta situação, eu agradeço. É claro que se isto continuar a acontecer, terei de bloquear de novo o sistema de comentários, que parece que é o que alguém pretende com toda esta manobra. Mas terei pena de o fazer pois perde-se uma mais valia importante, que é a comunicação e a partilha de experiências. Vamos remando comtra a maré...

sobre a doença de Crohn

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Enviaram-me ontem por mail este site que poderá ser de uma preciosa ajuda, com informações e contactos importantes sobre a doença de Crohn. Penso que em Portugal não há muitos estudos a nível desta doença, segundo sei relativamente rara, mas será uma questão que colocarei a médico explica, confiando na sua boa vontade e disponibilidade para nos elucidar.

Domingo, Agosto 29, 2004

reabertura ao público

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Após ter fechado para umas generosas férias de um dia e meio para descanso do pessoal, esta mercearia vai reabrir, remodelada, ao jeito dos melhores supermercados, com um agradável e novo espaço de conversa, chamado "haloscan".
Aviem-se à vontade mas atenção aos gastos que aqui não se fia nem se aceitam cartões de crédito. Temos no entanto o desconto de cartão jovem (não temos é culpa que os clientes das mercearias sejam pessoas de idade).
Estão em saldo o atum bom petisco, versão meio kilo e o grão de bico em lata.
Boas compras.
A gerência.
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solidariedade


Obrigada Gotinha :)

o mail

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E porque o post anterior já começou a dar frutos, aqui vai também o email da Filomena Moreira:

menam25@hotmail.com

a esperança da Filomena

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Decidi-me a colocar aqui o apelo da Filomena e dar a cara por isto porque a conheci ontem. Não se colocará aqui a hipótese de publicidade negativa; de qualquer modo o mail circula por aí, publicamente, em espaços com mais visibilidade que este modesto blog. Se me decidi a enviar o mail aos meus amigos e conhecidos reais e virtuais, foi porque tomei contacto directo com a situação ao querer assegurar-me da veracidade dos factos. Liguei à Filomena, trocámos telefones e ontem combinámos uma visita e lá fui eu à Amadora, sem saber o que ia encontrar, mas com vontade de ajudar a dar visibilidade a este caso, se me certificasse da veracidade da história. Uma espécie de blind date.
Foi estranho. A situação não é usual para mim e o mundo com que me vi confrontada é um mundo que me é alheio. Alheio no sentido de nunca ter tido contacto tão directo com as privações por que aquela família passa. Ao mesmo tempo sente-se uma dignidade e um quase pudor no sofrimento. E o recurso aos mails e à comunicação social foi o último dos últimos recursos da Filomena de cabelos loiros compridos e olhos verdes. Que seria muito bonita se a vida a tivesse tratado melhor.
Enontrei-a serena. Acamada, ao redor dela no quarto estavam dispostos o telefone, a televisão, o computador. Tudo ali à mão. Aquele quarto é o mundo dela. A solidão dela. Um cenário quase à Almodôvar, com imagens de santos, bibelots e velas nas paredes amarelas e na cómoda atulhada.
Li os documentos comprovativos dos créditos concedidos e as cartas dos advogados exigindo o pagamento imediato sob pena de execução imediata da dívida. Como o único bem próprio é a casa, imagine-se o desespero, sobretudo se tivermos em conta que as cartas a ameaçar com um processo judicial são de Junho e desde então aquela família vive no pânico de um telefonema que lhe tirará a esperança. Se a esperança ainda resiste isso deve-se a um telefonema de há 3 dias do jornal "24 horas", para marcar uma ida a casa da Filomena. A concretizar-se a entrevista, será excepcional a visibilidade.
Deixo-vos o mail e o apelo.

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Quero pedir-vos por favor que leiam esta minha mensagem até ao fim, independentemente de tudo.
Chamo-me Filomena Moreira, tenho 33 anos, dois filhos lindos com 14 e 8 anos, o João Carlos e o Ruben Filipe e um marido maravilhoso a quem devo tudo.
Infelizmente estou acamada ha mais de 2 anos devido a uma doença rara e incuravel que me apareceu á cerca de 7 anos.
Os "médicos" depois de estudarem tudo o que queriam, mandaram-me para casa com umas doses de morfina e nda mais...nunca mais quiseram saber de mim...não me conformei que nada mais havia a fazer e iniciei uma dura e longa luta pela vida, mas não foi fácil, muito menos por conta própria...
Hà cerca de 2 anos e pouco o meu estado era mesmo muito grave e pensei que de facto o meu momento final estava para muito breve...
Mesmo assim não quis entregar-me tão facilmente e como tinha conhecimento que nos estados unidos esta doença estava a ser estudada ha muitos anos, pensei em fazer uma pesquisa e entrar em contacto com alguém de lá. Como não tinha hipoteses de comprar um computador apronto, o meu marido comprou-me este a prestações. Fiz pesquisas ate não poder mais e quando parecia que ja nada era possivel e eu ja não tinha forças para mais...surgiu uma luz ao fundo do túnel...surgiu um novo e experimental tratamento...mas era demasiado caro para as nossas possibilidades e o nosso bom governo nem quis saber...
Perante o desespero de me verem quase a morrer, a minha mãe pensou em pedir uns emprestimos, pois o meu marido e eu não tinhamos rendimentos suficientes para isso, ela tb é reformada do Estado, mas tem a casa que é comprada, a minha mãe foi funcionaria do Instituto Geográfico e Cadastral mais de 20 anos e o meu querido falecido Pai foi 30 e tal anos funcionario do Ministerio da Justiça, na Direcção-Geral dos Serviços Prisionais.
A minha mãe ficou sozinha ha 4 anos e meio e como eu fui piorando e as despesas eram muitas, tivemos que vir viver com a minha mãe.
Depois de alguma espera la conseguiu os emprestimos e eu consegui fazer o tratamento. As melhoras foram muito poucas, mas pelo menos tentei...hoje
ja estou arrependida, pois por causa de mim estamos numa situação desesperante...
Pensei em ir á tv pedir a ajuda dos portugueses, mas como era para pagar os emprestimos e nao para o tratamento, nao me ajudaram...so que os emprestimos foram para pagar o tratamento...fiquei desolada...
O meu marido na altura ainda tinha 2 empregos, um na whirlpool, na profissao dele, Electromecanico de Electrodomésticos e outro no Clube de Tiro de MOnsanto, noite sim noite não...ia dia sim dia não trabalhar sm sequer ter dormido...
So que ate nisso tivemos azar, pois o meu marido tb é deficiente de uma perna, tem a bacia fixa e uma diferença de 12 cm de uma perna para a outra, o que lhe traz imensos problemas e dôres, foi uma tuberculose óssea em criança...mas é um Grande Homem na mesma!
Ele deu uma grande queda e desde aí foi proibido pelo medico de exercer a profissão dele...hoje esta a tentar a reforma e continua no Clube, mas ganha pouco mais que 60 contos e eu tenho uma reforma de 30 contos que é para a farmacia...mas isso nós ja estamos habituados a viver com dificuldades...o pior foi que deixamos de conseguir pagar os cerca de 100 contos das prestações dos emprestimos, pois a minha mãe pediu, mas nós é que pagávamos, e ela agora não pode tb pagar por nós, pois ja tem que nos ajudar em tudo o resto.
Com tudo isto neste momento ja temos cerca de 1000 contos em atraso dos 3000 contos que pedimos e agora estamos a um passo de perder esta casa que é o unico bem que a minh mãe tem.
Isto é horrivel...para onde vou eu assim doente??? e os meus filhos?????
Por favor...ajudem-me...
Se todos contribuirem com pouquinho que seja, talvez consigamos pagar esta
divida e assim podermos dormir descansados...
Eu so quero poder partir em paz...saber que os meus meninos não ficam na rua...nada mais...o meu filho mais novo ja esta a ter problemas por causa disto...ate ja tem uma consulta para peudopsiquiatria, pois este ano que passou nem á escola foi...entrava em pânico, com medo de chegar aqui e ja não termos casa...foi um grande problema...
Ajudem-me...com alguma contribuição, com mais endereços ou mesmo passarem tb esta mensagem, pois acredito que tenham bastantes conhecimentos, e ate se algum de vós tiver conhecimentos de advogacia, para nos eclarecerem se ha algo que possamos fazer para não perdermos a casa, nós nao podemos pagar a um advogado.
Ajudem-me...
Nós ate ja sugerimos as financiadoras irmos pagando um pouquinho todos os meses, mas eles não aceitam...
Estou desesperada...pioro a cada dia que passa...não sei se aguentarei muito
mais....o Fernando tem tentado dar-me muita força e diz para eu nunca perder a Fé, que algo acontecerá...mas não é nada facil meus amigos...não desejo isto a ninguém...
Foi criada uma conta na Caixa Geral de Depositos apenas para este fim, com o NIB 003503960018333360070 o numero da conta é 0396 183333600 em nome de Carlos Jorge Aurélio Sarmento, todo o dinheiro que la entrar sera exclusivamente para pagar esta divida.
Ajudem-me por amor de Deus...
O meu contacto é o 214962160 ou 914524082, moro na rua correia teles nº20-8º-A, na reboleira.
Eu posso provar em como isto é verdade e podem sempre comunicar com o Fernando Girão, que agora é meu amigo tambem e é uma pessoa maravilhosa e de Bem.
Ate podem ca vir, a minha porta esta aberta.
Se ao menos me deixasssem dar a cara, para pedir a ajuda dos portugueses que são sempre tao solidarios...
Jà nao sei o que fazer...
Ajudem os meus filhos...se são Pais devem de calcular a dôr que é ver os nossos filhos a sofrerem desta maneira...ajudem-me...pode ser com pouquinho...
Penso que nao me esqueci de nada...estou tao n

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Sábado, Agosto 28, 2004

no comments please

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ah é verdade, é só para dizer que este blog vai ficar temporáriamente sem comentários, que cá em casa mando eu...eheheh



(sim querido, vou já já! estou mesmo, mesmo a acabar de te fazer o pequeno almoço! )

Dâmocles ou de como a aproximação dói

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Num mail de ontem.

Sei que entre 50 pessoas para quem enviar a mensagem, uma ou duas estarão receptivas, outras interpretar-me-ão mal, outras tantas aborrecer-se-são, tantos são os apelos que dia sim dia sim recebemos nos mails. Mas eu não quero ficar indiferente, não posso, não a partir do momento em que me aproximei.

Isto de se fazer apelos por mail com a intenção de ajudar alguém tem que se lhe diga. Como te disse ontem, não é por cada um de nós ajudar com o que puder, uns trocos, meia dúzia de contactos, algum crédito, alguma confiança, que ficará nos anais da história. Se isso a ti não te interessa, a mim igualmente. De qualquer forma não há grandes causas pelas quais possamos lutar com pequenos gestos, meu amigo. Há grandes causas pequenas (ou será ao contrário) que nos escolhem, passe o estafado, exausto lugar comum.
Uma amiga minha que prezo muito e com quem tenho grande à-vontade diz-me em resposta ao mail que lhe reenviei, 'tenho demasiados problemas, não me posso preocupar com os outros agora, tenho mais que fazer' e eu entendo-a tão bem e gosto ainda mais dela por ser assim sincera e não fazer o jeito de concordar comigo.
A propósito destes pequenos gestos que podemos fazer e acusada (merecem-me, diga-se, todo o crédito essas 'acusações', pela alta autoridade que os anónimos possuem, eheheh...) de querer mostrar um 'umbigo exemplar', I just say: acusem-me do que quiserem. I don't give a damn. Estou precisamente a desviar as atenções do meu umbigo. Não é que não seja bonito, olaré!
Vá lá anónimos esforçados. Até a vossa ajuda é necessária (que doce ironia!). A espada de Dâmocles (um vizinho meu) está suspensa e o tempo não espera, ai pois não.


a propósito dos comentários apagados

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Nos dois últimos posts foram eliminados vários comentários, sendo que NENHUM deles foi apagado por mim. A quem me puder esclarecer, agradeço.

Sexta-feira, Agosto 27, 2004

orgulho

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Que outros se vangloriem das páginas que escreveram;
a mim, orgulham-me as que li.



Jorge Luis Borges
(1899-1986)

pura beleza...

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...é ouvir Lhasa de Sela


j'arrive à la ville

Quinta-feira, Agosto 26, 2004

não se pode mudar o mundo, pois não

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Apanhamos desilusões, somos enganados, não é aconselhável pôr as mãos no fogo por ninguém. Há miséria e sofrimento, gente a pedir ajuda, dinheiro, atenção, e meio mundo anda a tentar enganar o outro meio. E ninguém pode sozinho salvar o mundo, dizem-me, se ajudarmos um indivíduo, como negar a ajuda a outro, continuam as mesmas vozes, de pessoas diferentes a mesma voz, a mesma impotência talvez, a mesma desesperança. Sei disso tudo e para não me magoar, quer sejam verdade o que me contam, quer esteja a ser levada, o mais sensato seria pôr-me a milhas, fingir que não vi, olhar para o outro lado. Ninguém me censuraria isso. Aliás tenho de o fazer muitas vezes. Olho para o lado, digo não tenho tempo, não tenho moedas, não tenho paciência, todos os dias as mesmas desiguais caras pedindo a mesma coisa, verdade ou mentira nem sei, importará? em algum lado verdade, noutros mentira, os protagonistas esses é que diferem, no tempo e no espaço.
Não sei porque me tocou tanto a história da Filomena. Recebi o mail de amigos há dias. Hesitei. Finalmente telefonei-lhe, a Filomena desesperada de ajuda, coloca a sua morada, o seu telefone à mercê de todos nós, ajudem-me por favor. Venham a minha casa, se quiserem. Falo verdade, sinto-me só, estou doente, sem saber o que fazer. Não tenho pena da Filomena. Sinto solidadariedade com ela e desde ontem que não me sai da cabeça a sua história. Pouco mais nova que eu, portadora da doença de Chron diagnosticada numa fase avançada, falta-lhe o dinheiro para pagar o tratamento e poder criar dois filhos. Inesperadamente dei por mim a trocar números de telefone com ela, a comprometer-me interiormente comigo a, sendo verdade o que diz, ajudá-la. Já enviei a alguns de vós mails expondo o caso difícil que ela vive e há pouco eu e ela partilhámos uma imensa alegria quando ela me diz que tinha acabado de receber um telefonema do director de um jornal diário para uma entrevista.
Ponderei a hipótese de colocar aqui o mail, que a identifica completamente. Apesar das vantagens da divulgação por este meio, optei por preservar a sua privacidade nos blogs, libertando-a nos mails...dir-me-ão que é o mesmo, o mail circula livre por aí, pois é, mas acho preferível protegê-la um pouco.
Não podemos mudar o mundo, pois não. Mas acomodarmo-nos a essa ideia não nos imobilizará os movimentos, e não ficaremos, como dizia há pouco uma pessoa amiga, a secar de solidão e de impotência?
Isto tudo pode ser utopia, verdade ou mentira. Mas há coisas que são maiores que nós e o instinto não se explica. E se os blogs e as páginas pessoais servem para algo mais que para exibirmos o nosso belo umbigo, que sirvam também para fazer serviço público e, modestamente contribuir, não para mudar o mundo, mas para mudar o mundo de uma família.
Obrigada.

Terça-feira, Agosto 24, 2004


Naomi Soloman
by Bill Cooper




Saber apagar e apagar-se
penosa necessidade

Acender o cachimbo lentamente
fingir que não se ouve não se sente
Em silêncio dizer com os olhos muito longe

Felicidade felicidade




(Mário Dionísio)

Segunda-feira, Agosto 23, 2004

dentro do 'género', uma espécie que luta contra ele...

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Porque é que o facto de uma mulher gostar, para satisfação própria ou pela instintiva e natural(?) vontade de seduzir (leia-se agradar, gostar de ser gostada, como é próprio de um ser humano e não exclusivo do ser humano mulher) é interpretado por alguns sectores 'feministas' como obstáculo a uma crebibilidade pessoal e profissional, chegando a caracterizar-se essas mulheres como objectos sexistas?
Veio-me esta reflexão a propósito de um artigo saído no Público do passado sábado, que relata as críticas de algumas feministas ao facto de algumas ministras do governo espanhol terem posado para a Vogue (no palácio de Moncloa, creio) com roupas até para mais discretas yet chic, talvez como pretexto para se afirmar que existem 8 mulheres ministras no executivo espanhol, olé!
Quando é que esse discurso ultrapassado passa definitamente à história? Uma mulher, uma boa profissional tem que necessariamente queimar o soutien como nos idos anos 60 e andar sempre de cara lavada para ser equiparada ao homem e supostamente ser mais credível? Mas isso é fazer o jogo do 'adversário' como tal visto, ou seja, a mentalidade machista que combatem.
Também me revolto contra essa mentalidade mas não trilho o mesmo percurso de luta. Defendo intransigentemente os direitos das mulheres e concordo com uma discriminação positiva quando for caso disso, mas, por favor! Ser mulher implica também, para quem o sinta, assumir a sua feminilidade (note-se que não acho obrigatório nem 'colado' à imagem de 'mulher'), sem que isso seja encarado como futilidade e falta de profissionalismo. Esta é a mentalidade que urge combater e que afinal vem também de mulheres. Por isso não gosto do termo 'feminista', pelo que lhe está associado: a radicalização do discurso, a negação do 'ser feminino'. Se em tempos que já lá vão tal radicalização, tal antagonismo excerbado era necessário para atingir a 'igualdade' (ah, ah, ah...), hoje não faz sentido que se continue a bater no ceguinho, fazendo, afinal assim, o jogo do adversário. Que cada um(a) se vista como quer, simples ou menos simples, feminina ou nem tanto, sem que o modo como cada um(a) se apresenta sirva para tirar ilacções sobre a capacidade pessoal e profissional das mulheres. Mentalidadezinha mais machista esta...

Domingo, Agosto 22, 2004

Garfield himself



Ciumento, descuidado, indiferente e atento, terno sem dar parte de fraco. Um gato cheio de personalidade.
O filme tem imagens bem conseguidas das ainda melhor conseguidas expressões faciais e corporais da vedeta a a imagem digital do Garfield funde-se perfeitamente no real do filme.

Sábado, Agosto 21, 2004

ainda os blogs

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"Sendo um espaço de absoluta liberdade (arrisco a dizer anarquia...), essa estrutura [editorial] não existe nem poderá existir. Até porque esse é um dos atractivos da coisa", garante Nuno Simas.
António Granado partilha da mesma opinião, quer no que se refere aos blogs pessoais - elaborados em jeito de diário, em que o autor escreve mais para si -, quer no que diz respeito aos blogs de função social, mais voltados para os outros. "Há alguma regras específicas de programação, claro, mas depois tudo depende do blogger". O mesmo é dizer que, no final, o critério editorial é de cada um.
Pedro Mexia torna a posição unânime quando afirma que "quase nenhum blog tem exactamente uma estrutura editorial, mesmo porque muitos são unipessoais e mais ou menos lúdicos". Para o poeta, apenas uma coisa é certa: a interactividade que existe, "efectivamente, na parada e resposts a outros blogs, nos mails, nas caixas de comentários". É todo um mundo novo por descobrir.


(mais um excerto do artigo referenciado no post anterior)

Este novo mundo que apesar de absolutamente livre e acessível a qualquer um (em teoria, já q o pc e a internet não são ainda bens q existem em todas as casas) é, por outro lado, um mundo ainda pouco conhecido por quem não navega nesta comunidade, absolutamente democrática nos princípios por que se rege.

blogs e fontes

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São poucos os blogs que fornecem informação fiável em primeira mão, mas acontece. E porque acontece, uma questão coloca-se à partida: pode um blog ser fonte para os jornalistas? "Sim", concedem José Mário Silva (Blog de Esquerda), Nuno Simas (Glória Fácil), António Granado (Ponto Media)e Pedro Mexia (A Coluna Infame), numa resposta unânime. Tal como unânime é, no entanto, a ressalva que todos fazem relativamente ao facto de haver fontes e fontes - nem todas fiáveis e, por isso mesmo, exigindo cuidados redobrados com o material a utilizar. Como escolher, então? "Se os blogs forem alimentados por um actor (ou actores) da vida pública nacional, serão fiáveis", explica o jornalista Nuno Simas. "E devem ser citados sempre que a informação for usada, para salvaguardar o próprio jornalista", aconselha António Granado.


Excerto retirado do artigo de Ana Pago "Blogs influenciam pouco o jornalismo que se faz em Portugal", publicado no DN de 16 de Agosto último.

Sexta-feira, Agosto 20, 2004



Walk to Paradise Garden
by W. E. Smith


Encosto a cara às quimeras da infância, para exorcizar
a inocência perdida e rodopiar, sobre os sonhos, a valsa
solitária da criança que fui, quando as minhas mãos, nativas
do sol, eram aves de múltiplas cores.
Paro todos os relógios, para escutar a respiração dos dias.
E, como um actor que se esgota na personagem, rasgo
o cenário e danço, como um louco, em redor de malogros
entrelaçados nos meus pulsos. Tenho, em volta do pescoço,
uma lua transparente que me enrouquece a voz.



Graça Pires

a inverosimilhança é argumento?

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A propósito da tese da inverosimilhança sustentada pela juíza que lavrou o despacho de não pronúncia de alguns dos arguidos do Caso Pia, recorto um excerto do recurso apresentado pelo MP sobre o mesmo despacho, que é para mim fulcral e que, nesta parte, abstraindo-me dos factos em concreto e de pré-juízos e pré-conceitos, subscrevo inteiramente. Ser inverosímel não pode ser argumento, a Justiça faz-de de provas, da correcta apreciação delas e não de juízos e convicções de que não pode ser.


"Considerar determinada imputação inverosímil, nomeadamente em função da
projecção pública do visado, cargos políticos, aparente respeitabilidade e honorabilidade,
estatuto social ou profissão, implica um pré-juízo que carece de qualquer justificação,
principalmente em crimes da natureza daqueles que estiveram em investigação nestes autos
– contra a autodeterminação sexual de crianças – alvo da máxima reprovabilidade ética e
moral, sendo os seus autores, quer tenham projecção pública ou não, geralmente pessoas
aparentemente normais, relativamente às quais não se levantam as mais leves suspeitas do
seu envolvimento neste tipo de ilícitos."

Quinta-feira, Agosto 19, 2004



The Road
by Hag

Sonhar foi sempre a maneira de medir as coisas importantes, as balizas dentro das quais recriei o mundo e o fiz mais belo para habitar. Foi e é o sonho que me indica o caminho ou não mo indica de todo, deixando-me perdida na (im)probabilidade de tudo, obrigada a tactear às cegas o futuro. E é com o tacto felino de duas mãos nuas que percorro o sonho que me conduz a ti e aos poemas que nos fizémos em gestos de ternura sem tempo, perfeitamente desenhados na geografia do céu, do nosso corpo.

ar que nos respiramos

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água sol cerejas mel
olhos luz boca beijo
belo o nosso perfil

Sábado, Agosto 14, 2004

até já!

isto não vai demorar mesmo nada

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só falta (antes de dormir) fazer a mala, passar a ferro, deitar o lixo fora, tentar dormir, dormir finalmente, (depois de acordar) passar mais umas coisas a ferro, tomar banho, levar a tralha para o carro, ajustar o cinto e desapertá-lo para sair do carro, falta o secador. back to the car. conduzir 5 minutos sossegada rumo ao destino e outros 5 de volta a casa a pensar onde deixei o telemóvel. e o carregador. lembro-me sempre a tempo do carregador do telemóvel. ah, e de fazer esta lista, que me lembra de todas as coisas a não esquecer. faltam 8 horas para estar no sítio x. tenho tempo.

Quinta-feira, Agosto 12, 2004

esse verão

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E como este não é um blog vocacionado para a política (a sua vocação desconheço), é melhor safar-me a tempo com este verão de amoras e quente, quente como hoje.


Esse Verão

Vinha meio nu
Trazia uma cesta de vime cheia de amoras
que colhera nas margens do rio
Passara a tarde toda de silvado em silvado
Na sua mão direita um pequeno arranhão
- Tão quente tão quente
esse verão




Jorge Sousa Braga

erros de avaliação

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Os erros ortográficos e outros.
Pergunto-me que autoridade têm certas figuras ilustres da praça pública literária e política, supostamente mais apetrechadas para o bem escrever e bem falar Português, que autoridade têm, dizia, para discorrer sobre assuntos da sua especialidade, imaginação ou sentido crítico quando não promovem a tal correcção de escrever. Não aceito este laxismo da parte de pessoas que deveriam ser um exemplo do escrever sem erros ortográficos, base essencial para a comunicação. Dir-se-à que é uma questão técnica, mas, tal como um pianista se socorre da técnica para exaltar o seu dom, não sobrevalorizando este em detrimento daquela, assim os nossos auto-endeusados opinion makers deveriam ter rigor na utilização da palavra escrita.
Os outros.
Maria Filomena Mónica, reputada historiadora e professora universítária é um dos exemplos negados em si próprios. Àparte os célebres erros ortográficos - não há um revisor de textos no Público? - os Diários de Santana Lopes que tem a veleidade e a paciência de escrever, são de vomitar e chorar por mais vómitos. A esquerda e uma certa direita dão ao PM o papel de vilão esquecendo-se que estão ao mesmo tempo a abrir-lhe caminho para ser o protagonista de uma peça mais rentável: o de vítima. Tenho a certeza que Pedro Santana Lopes não se importa com tanta atenção que lhe é dedicada (saberá capitalizá-la) e, como homem que gosta de Política e dos seus artifícios, sabe que é preferível que falem mal de si a não falarem de todo. Já dizia Oscar Wilde.

todo o poema

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Todo poema é feito de ar
apenas:
a mão do poeta
não rasga a madeira
não fere
o metal
a pedra
não tinge de azul
os dedos
quando escreve manhã
ou brisa
ou blusa
de mulher.

O poema
é sem matéria palpável
tudo
o que há nele
é barulho
quando rumoreja
ao sopro da leitura.




Ferreira Gullar

Quarta-feira, Agosto 11, 2004

rabiscos

.
Caraças.
Vi que tinha isto escrito em letras garrafais nuns rascunhos do trabalho de hoje, mas não me lembro de o ter feito nem a que se referia tal desabafo. Devia estar no meio de alguma reunião ou ao telefone, a pensar em várias coisas ao mesmo tempo. Vá lá, não devia ser nada de grave, ou a expressão seria certamente pior.

poemar

.
Sonhei contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes tu, a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra. É verdade o sonho
poderá ter feito com que, nesta
rarefacção de ambos, a tua presença se
impusesse - como se cada gesto
do poema te restituisse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus
lábios com o rebordo desta chávena
de café já frio. Então, bebo-o
de um trago o mesmo se pode fazer
ao amor, quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -
terra, água, nuvens, rios e
o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência
da fontes. É isto, porém, que
faz com que a solidão não seja mais
do que um lugar comum saber
que existes, aí, e estar contigo
mesmo que só o silêncio me
responda quando, uma vez mais
te chamo.


Nuno Júdice

Terça-feira, Agosto 10, 2004

gostos não se discutem ou talvez sim

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No seu último livro Pedro Mexia e/ou os seus editores escolheram não incluir os posts de cariz político. A minha modesta opinião, até aos blogs desconhedora das ideias deste rapaz inteligente, passe a publicidade e alguma admiração, diz-me que foi uma escolha acertada - afastam-se assim as inevitáveis polémicas a que a pequena política dá azo, ficando apenas o registo não datado embora circunscrito ao período entre Setembro 2002/Abril 2004, de faits-divers (os estrangeirismos soam-me um pouco snobs, mas não me rendo assim do pé para a mão aos aportuguesamentos), contados com graça, inteligência, cultura, humor e uma saudável auto crítica. Requisitos importantes para mulheres de bom gosto. :)

quase feliz

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Quase feliz apesar da tua ausência, por causa dela. 3 meses sem ti. Meu amor.

momentos

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Momento de gracinha: "Tenho tantas saudades de ti enquanto bébé, eras tão querida e inteligente."


(Continua)
"E eu era feliz e nem sabia que o era".

Mãe, formou-se um nó cá dentro quando disseste isto, mas, claro, sabes como sou, passou-me ao lado.

Segunda-feira, Agosto 09, 2004

arrumando a casa

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De vez em quando arejo a casa e faço uma arrumação da coluna dos blogs que vou lendo. Uns saem, outros entram, outros tantos permanecem. Por aquilo que estou a ler de Pedro Mexia no livro 'Fora do mundo', suspeito que a Coluna Infame e o Dicionário do Diabo, a existirem ainda, não arredavam pé da lista aqui ao lado.

Domingo, Agosto 08, 2004

leituras em (mini) férias

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A minha leitura de férias está escolhida, desta vez não vão ser policiais à solta na mala - à solta, em liberdade 'acondicionada' vão dois livros, um de David Logde, em "O Museu Britânico ainda vem abaixo" e o "Fora do mundo", de Pedro Mexia, textos escritos para a blogosfera e que em boa hora se pensou publicar.
Leves e inteligentes, estes dois livros são mesmo uma escolha acertada para esta mui curtinha pausa, um intervalo retemperador, descanso, mar e sol, piscina, livros, passeatas nocturnas, não fazer nada...
Que vontade de ser já amanhã o dia!



Na luz a pruno

Se as mãos pudessem (as tuas,
as minhas) rasgar o nevoeiro,
entrar na luz a prumo.
Se a voz viesse. Não uma qualquer:
a tua, e na manhã voasse.
E de júbilo cantasse.
Com as tuas mãos, e as minhas,
pudesse entrar no azul, qualquer
azul: o do mar,
o do céu, o da rasteirinha canção
de água corrente. E com elas subisse.
(A ave, as mãos, a voz.)
E fossem chama. Quase.


Eugénio de Andrade

tédio, férias depressa!

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Vem aos domingos este sentir estranho e contraditório. A liberdade de escolher ter o tempo só para mim, poder usufruir dele como me apetece e acabar por ficar encurralada na escolha, dispersa na possibilidade. E desleixo um fim de semana mais a visita que devia fazer aos avós, o livro pendurado há semanas. Mas teimo comigo que isto tem de mudar. Teimo que sim e porque sim. Hoje é domingo e é passageiro, amanhã é segunda e na terça tudo se vai compôr. E quando for domingo outra vez, raios partam se me permito isto!

Sexta-feira, Agosto 06, 2004

desertar...

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As ruas estão mais vazias, o meu mundo aqui gira sem pressa e eu a precisar de uns dias de descanso longe disto tudo, do tédio do sempre igual, do cansaço. Deixar a papelada, os telefones, o computador e rumar para um deserto imenso de paz, de claridade e de encontro. E já falta tão pouco...:)

(re)inventar o Tempo

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Descobri este livro ficcional, que mergulha nas memórias inventadas para colorir os dias, livro ponto de partida para a reflexão sobre o que riscaríamos da memória e o que escolheriamos colocar em seu lugar. Será que, a ser possível matar as más memórias (ou até as boas que também nos podem fazer mal) o faríamos, sabendo que inevitavelmente mudaríamos também o viver do tempo do presente, do futuro e com isso o curso dos dias?
Algo neste livro não é ficção, este conceito de 'felicidade para sempre como pertencente ao tempo que só as crianças habitam'. Até porque para elas, ao estarem tão dentro do presente vivem a todo o momento o 'para sempre'. É o seu segredo, o segredo que esquecemos que um dia foi nosso.

Só somos felizes, verdadeiramente felizes, quando é para sempre, mas só as crianças habitam esse tempo no qual todas as coisas duram para sempre. Eu fui feliz para sempre na minha infância, lá na Gabela, durante as férias grandes, enquanto tentava construir uma cabana nos troncos de uma acácia.

in «O Vendedor de Passados», José Eduardo Agualusa

Quinta-feira, Agosto 05, 2004

pois claro

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Não há passo que se dê (e mesmo sem dar passos, veja-se eu hoje aqui no meu posto) que não venha alguém da associação x ou y, a tentar convencer-nos a dar uma moeda, comprar um folheto, até já me apareceram aqui com um garrafão de água vazio e a pedir dinheiro para o encher de gasolina, que tinham ficado apeados na estrada. Estes eram novatos no ofício e acho que eram 'independentes'.
Hoje entraram por aqui dentro dois marmanjos com um ar de quem estudou a lição, com sorrisos e apertos de mão e como é que se chama?, está visto, têm a escolinha toda - pode até passar um cheque pré-datado, não tem? não, então dê lá uma moedinha. Não se lembra de mim? Estive cá o ano passado, está ainda mais bonita, quem é o jardineiro e blá blá blá. Esta nova abordagem para pedir é nova para mim, eles costumam ser simpáticos até ao limite de eu dizer que não, que não estou mesmo interessada hoje, altura em que viram as costas, na refilice, e esquecem as boas maneiras de um Rel.Públicas estudioso. Estes dois despediram-se com um caloroso aperto de mão e um olhar à matador com a promessa de voltarem em breve, afinal, diziam, tinham sido tão simpáticos que mereciam que eu desse uma generosa contribuição para a próxima. Quem fala assim não é gago.

a poesia em fotos...



Srinagar, Kashmir, 1948


Henri Cartier-Bresson
1908-2004


Uma impressionante foto. Amplamente...

psiu!

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Já tenho o blog em condições graças à generosidade de um corpo de voluntários da blogosfera constituído expressamente para o efeito B)
(brincadeirinha...)


Obrigada. Foste Amigo :)*

Quarta-feira, Agosto 04, 2004

à minha amiga mais antiga

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O Tempo
tem cor de noite.
De uma noite quieta.

Sobre luas enormes,
a Eternidade
está fixa nas doze.
E o Tempo adormeceu
para sempre em sua torre.
Enganam-nos
todos os relógios.

O Tempo já tem
horizontes.



García Lorca




ainda o quase, para já deixar de ser

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"Roubando", com a devida vénia :) ao - Escárnio e bem dizer.


"Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé move montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixes que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfia do destino e acredita em ti. Gasta mais horas a realizar do que a sonhar, a fazer do que a planear, a viver do que a esperar porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."


Luiz Fernando Veríssimo

Terça-feira, Agosto 03, 2004

quaisquer palavras agora

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Não lerás estas linhas. Risquei-te da minha agenda, apaguei os mails, de ti apenas guardo bilhetes de ternura e a memória do esplendor que fomos, que brevemente, bilhetes e memória, enviarei para o fundo do baú que nunca abro.
Algo se partiu, alma e coração quebrados, misturados. Não vou conseguir, nem sei se quero, reunir tudo de novo, vai ser difícil que tu e eu consigamos formar de novo o puzzle que nos indicou o quase-futuro.
Dois meses a resistir. A resistir-te. Simplesmente porque não te resistiria se atendesse o telefone, se respondesse à mensagem, se jantasse contigo. E eu não quero não resistir. Preciso da tua ausência. Preciso de encontrar mais vezes o meu riso feliz e perder esta saudade que me dá raiva.
Enganas-te, não tenho o coração em pedra mas em sangue. Mas é um sangue bom, é o que corre, não o que se esvai.
Talvez um dia te conte desta púrpura secreta e possas então ler o que sinto hoje, a ternura, alguma tristeza, o querer ver-te feliz e inteiro, sempre acompanhado dessa força de agarrar a vida pelos cornos, desbravando mato e criando caminhos.
Meu é o caminho que tenho de desbravar. E é a esse lugar sem ti que hei-de chegar um dia, renovada e pura, feliz. Tenho uma grande capacidade de renascer, lembras-te?

Anyway, esta cidade será sempre nossa.



Paris, 1950
by Robert Doisneau

uma cidade qualquer

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Pergunta a Mafaldinha que fascínio pode exercer em nós uma cidade que não conhecemos.
O fascínio, como o vejo, existe porque precisamente a (re)conhecemos na memória dos sonhos e na preparação do encontro.

Coloco a minha voz ao lado da de Sophia quando preciso fugir da cidade de todos os dias, que poderia ser qualquer cidade do mundo. Lisboa ou Londres - o meu pulsar da cidade depende do meu cansaço, do meu tédio. Mas nunca me cansaria de Londres. Tired of London, tired of life.
E no entanto...


Saber que tomas em ti a minha vida
e que arrastas pela sombra das paredes
a minha alma que fora prometida
às ondas brancas e às florestas verdes

(Sophia)

does your weblog own you?

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A Desassossegada deve ter sido a única de entre todos nós, blog-dependentes, que assumiu a doença :)



31.25 %

My weblog owns 31.25 % of me.
Does your weblog own you?



O resultado do meu teste não é muito fiável. À maior parte das perguntas eu responderia com um...'tem dias' :)

deve haver engano B)

Segunda-feira, Agosto 02, 2004

quase-futuro

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Por um triz não é o futuro
(Lispector)


Há frases que nos prendem ao primeiro olhar porque guardam um mundo. Olham-nos e tocam-nos na pele que se arrepanha. Foi nesse limbo do quase-futuro que tu e eu ficámos, meu amor de algum dia.


Por um triz não é o futuro.

Clarice Lispector

Domingo, Agosto 01, 2004

um escrever com luz

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Gosto dela na forma desassombrada, límpida e sensível como se revela escritora, como gosto no seu registo de jornalista, vincado pela honestidade intelectual que se sente nas posições e coerências que persegue, na cidadania empenhada.
Ouvi a Inês Pedrosa há pouco na TSF numa entrevista de arquivo. Falava-se, às tantas, no significado de "escrever bem". Tal como ela, tenho a convicção que não basta 'escrever bem', no sentido de respeitar a gramática, a sintaxe de uma língua, para se ser escritor. O que interessa é encontrar a própria voz (se ela existir) que pode até ludibriar os cânones tradicionais da escrita e do conceito de 'bem escrever'- vejam-se os casos de Mia Couto, de António Lobo Antunes ou de Saramago, que enriquecem e (re) inventam (novas) formas de escrever.
Pode-se escrever bem sem que se tenha alma ou rasgo. Para escrever bem, independentemente do significado que lhe dermos, é preciso ter lido. Muito. Para se dar ao luxo de desconstruir palavras e formas tradicionais de escrever, quem escreve e/ou quem é escritor, tem de as ter absorvido primeiro - é o que lhe dá autoridade e segurança. Mas isto é técnica. E eu falava de alma, como a Inês Pedrosa falava de encontrar a voz interior, o fluir único, compulsão criadora que comova e espanta por ser.
E a Púrpura vai dormir embora lhe apetecesse ficar noite dentro a deambular pelas escritas da blogosfera, que lhe roubam o tempo à leitura espalhada pela casa, com cheiro de papel e toque de mestre. Mais logo é Agosto de trabalho e eu não vivo do que leio nem do que escrevo. Vivo também no que escrevo. Para chegar mais perto.
Boa noite!